quinta-feira, junho 03, 2021

2018

O ano que, pela primeira vez, cogitei o término do meu relacionamento.
Motivo? Traição

Recebi vários prints de conversas do meu então namorado com uma prima dele, sim, prima. Vamos chamá-la de D. 
A conversa era de 2017, D e K conversavam pelo messenger, pq a namorada de K, no caso eu, não iria ver o que ele estava falando, uma vez que nao tinha e não tenho a senha das redes dele e que não suspeitaria nunca (como de fato foi, só acreditei vendo mesmo e ainda vendo demorei o dia inteiro pra acreditar de fato) e ele poderia falar o que bem entendesse.
Recebi os prints e nao identifiquei a D, mas havia uma foto, selecionei a foto e na hora mandei um whats perguntando quem era. Ingênua que fui, expliquei o que tinha acontecido e o que eu fiz? Compartilhei algumas evidências.
Primeira reação de K: Isso aí é robô, fake, compartilharam pra nos afastar
Primeira impressão minha: Ahh deve ser, vc não seria capaz de me trair mesmo, ainda mais com ela....
Porém o meu sexto sentido é bom pra tragédia e eu analisei a conversa print a print. Não poderia ser fake, até os vícios de linguagem era o dele
Segunda reação: Falei com ele que eu estava acreditando que era realmente era ele e ele confessou.
Disse que não havia traído e que foram apenas conversas, não conseguiu chegar no finalmente, jurou de pé junto que não tinha me traído

Haviam agravantes:
Faltavam 2 dias para batizar a nossa afilhada, eu tinha acabado de adotar minha primeira gatinha, houve traição no meu relacionamento anterior e eu não conseguiria falar disso com ninguém

Então fui trabalhar e no decorrer da sexta e do sábado (ainda tenho as conversas, acessei antes de escrever) eu pensei e cheguei na conclusão interna: Na minha família a traição é super comum. L me traiu, K me traiu (mas nao admite), K é um homem bom, se arrependeu e eu nao vou achar outro como ele. Ele preenche 9 dos meus 10 requisitos principais. Tá ótimo, vou me poupar do esforço de conhecer novamente alguém e me decepcionar com ele e reviver o ciclo.
Vou esquecer que isso aconteceu e pronto
Batizamos a C no domingo.

Eu achei que eu era forte, madura e super responsável. Me achava foda porque havia perdoado uma "traição", mas isso até a página 2. Na verdade eu pensava sobre isso com frequência, discutia sobre isso com o Kaio, mas não me permitia sentir. Não sabia lidar com aquilo e escondi. No decorrer de 2018 e 2019 coincidentemente surgiram vários eventos de família que ela estava presente, e eu, só engolindo e reprimindo ainda mais o desconforto. Afinal, ou eu ia, ou o Kaio ia sem mim. Então eu fui. Fui pras festas, fui passar o natal na chácara. Hoje eu vejo que não aproveitei de fato, eu me exclui para poder deixar K viver o que ele queria. Deveria ter colocado ele contra a parede, não ir nos eventos e deixar ele explicar o verdadeiro motivo, mas não, nessa época começou minha proteção a ele e minha perdição de mim

Nesse ano a gente começou a se distanciar, eu  não sentia mais o tesão, não sentia a conexão, mas sentia o amor, e acreditava que por sentir o amor era suficiente, mas não caro leitor, o amor por si só não é suficiente em uma relação, guarde isso.

E então veio a segunda onda de Burnout em 2021, achei que era exclusiva do trabalho, fui fazer terapia, tratar... mas que surpresa a minha descobrir que meu marido não era parte da solução mas sim do meu problema. Precisava entender porque nossa relação havia se tornado essa montanha russa desde o casamento.


E descobri: Há menos de um mês eu descobri, com certeza por conta da terapia e do desemprego que me da muito tempo pra pensar e me auto analisar, estou trabalhando mais meus sentimentos. E em uma sessão, falando de uma discussão que havia tido com meu marido, o sentimento da traição veio e eu entendi que na ânsia de proteger a relação eu ignorei meus verdadeiros sentimentos.

Outro fator é que 6 meses depois da descoberta eu ingressei como rep de uma multinacional italiana. Minha vida estava mudando e para muito melhor! Porém com tantos benefícios, haveria de ter grandes responsabilidades e eu me perdi muito nesse início de carreira, era muita coisa pra assimilar, aprender e praticar, comecei a achar que me estresse era do trabalho, no início trabalhava 12h por dia então só poderia ser isso. Mas não era e eu joguei uma carga na profissão que era uma carga guardada a sete chaves por mais de 6 meses.
E como diz um amigo meu: Daí pra frente, foi só pra trás.

Eu amo meu marido, mas como está difícil lidar com frustrações por anos sufocadas que estão vindo como um tsunami na minha vida. Não sei se vou segurar tudo isso antes de encharcar ele com essa maré de emoções.
Por um lado que cuspir tudo nele, por outro não consigo pois vem o pensamento de que já se passaram 3 anos, vale a pena?

E vc leitor? Acha que vale a pena?
Bem, ainda é cedo para achismos, pois ainda há muito o que desabafar por aqui.
Caso eu me recorde de mais coisas virei atualizar o post
Obrigara por ler
See You Soon

quarta-feira, junho 02, 2021

Não se case, sem ter certeza emocional e racional

Se beber, não case e se pensar muito em separação por quase um ano antes de se casar: Não se case mesmo.
Entrei nesse relacionamento prometendo a mim mesma que ele seria meu eterno amor. Abdiquei sonhos, desejos, mudei a forma de falar, de pensar...Não foi ruim. K me ensinou muita coisa: Me ensinou a experimentar comidas diferentes, a me aventurar para lugares nunca idos, a ser mais tolerante com os outros (especialmente nossos familiares), a saber reconhecer meus erros, valorizar os amigos e muitas outras coisas ao longo dos 6 últimos anos, porém desde 2019 venho aprendendo a lidar com a sombra do Burnout e com o decaimento da minha/nossa relação.
Levei o ano de 2015 inteiro para aceitar um namoro com o K, ao longo de 9-10 meses saí com ele, com os amigos dele, conheci sua casa, sua rotina, sua vida... Ele me ajudou a me distanciar do G, que estava em uma vibe de amigo chato e eu não o queria mais no meu pé rs. Ele foi o melhor amigo que eu poderia ter naquele momento de incertezas que vivia.
No momento que considerei um namoro com ele, o comparei muito com o L, ah! o L... Homem e amigo na qual terei uma gratidão eterna, pois sou o que sou hoje por conta da minha relação com ele. Sem contar que o conheço há quase 15 anos, mas o assunto aqui não é L e sim K, o casamento, os anos que o antecederam o que senti antes de decidir... Muitas vezes sentia que L havia me preparado para K, me ensinado como deve ser um relacionamento, e eu não aceitaria menos do que tive na minha relação com L em uma próxima relação.
Então analisei, pensei, observei...Resolvi escutar dois amigos: BT e LS e ambos disseram pra eu me jogar na relação. E eu me joguei
Me joguei a ponto de desistir de prestar a prova da aeronáutica, de desistir de uma pós no Canadá, de desistir até da JMJ da Polônia...Mas a culpa não foi do K, ele nunca me forçou a nada, sempre foi claro nas suas visões, escolhas e opiniões, mas eu abdiquei, pois se era para entrar nesse relacionamento mesmo, eu faria diferente: Eu iria me dedicar a ele de corpo e alma e eu me dediquei mesmo, dediquei até 2019, momento que precisei olhar mais para mim, pois ao olhar tanto pra ele, fui esquecendo de mim, esquecendo de me reconhecer e trabalhando em um setor novo, estava mais perdida que cega em tiroteio.... Olhei tanto para os que estavam ao meu redor que só voltei para mim quando dei por mim que não tomava banho há quase 3 dias. E sabe o que era mais maluco? Era que eu estava na melhor fase da minha vida: Carro, casa nova, ascensão de carreira, tinha adotado o Oliver! Mas não podia comemorar, minha relação não estava tão boa assim, foi o inicio oficial do decaimento. A família do K passava por uma grande dificuldade, K não conseguiu lidar bem com isso e eu literalmente escondi tudo o que sentia para poder acolhe-lo...Fui à terapia, identificada com Burnout, síndrome desencadeada pelo stress do trabalho e que afeta nosso humor com picos que variam entre ansiedade e depressão... Naquela época era depressão. Comecei a me fechar pro K, até hoje não sei se ele percebeu que lá começou meu afastamento ou só percebeu porque eu disse a ele quase um ano depois. Me sentia sozinha, me sentia largada e pela segunda vez na relação, pensei em terminar ( A primeira foi em 2018 mas é caso para outra anotação).
Terminar com o menino passando por tudo isso? É muito egoísmo Leidiane!! Era so o que passava na minha mente, eu não podia terminar, ele já estava passando por um momento difícil, eu não podia largar ele nesse momento delicado, e comecei a colocar na cabeça que era uma fase e que iria passar e voltaríamos a ser o casal que éramos entre 2015-2017. Mas a vida não é um conto de fadas não é mesmo? Principalmente na vida conjugal.
O fato é que eu, como muitas vezes na vida, desde os meus quinze anos, eu reprimi o que sentia e me dediquei a ele. Eu tinha um trabalho novo para me dedicar e tinha aturma da catequese tbm e então foi relativamente fácil suprimir o que eu estava sentindo e eu fui levando a relação sem me importar muito que K não olhava pra mim, reprimindo a sensação de abandono.
Só que reprimir não significa que eu não vá sentir em algum momento. Terminei 2019 sem entender ao certo o que passei, sofri muito, mas não entendia e joguei a carga toda no trabalho que ainda era novo pois fui transferida de cidade em agosto/2019 e teria todo um retrabalho para conhecer os medicos e fazer roteiro... Chegou o ano de 2020 e eu decidi que era melhor marcar logo o casamento, tinha ctz de que se marcasse eu iria parar de pensar em problemas da relação e sim, novamente acreditei que tudo poderia mudar.
Mas como mudar uma relação que não tinha mais sexo, sexo de verdade mesmo, há mais de um ano? Como mudar uma relação, na qual eu dei tudo de mim e sentia que eu não era ouvida, sentia que eu não conseguia me expressar pois eu falava mas não era compreendida? Como um casamento poderia salvar uma relação na qual cada um seguia a sua própria trilha numa ilusão de estarem seguindo juntos? Pois é....muitos problemas foram empurrados com a barriga e empurrados apenas por mim, pois minha dificuldade de expressão ou a dificuldade dele em me entender/tentar me entender não permitia ao K me ler, nem ouvir os "gritos" que eu dava. E ainda assim, achei que casar seria uma opção viável, na verdade a única que eu tinha. Eu não aceitava ter sofrido tanto até então para que o relacionamento acabasse. Eu iria conversar com K, expor tudo e nos resolveríamos e casaríamos. Seríamos muito felizes. Ledo engano, caro leitor.
É tanta coisa que quero explicar, falar e organizar, que acredito que seja ideal encerrar essa publicação por aqui e inserir meus pontos detalhadamente em publicações posteriores.
Nos vemos em breve, para falar como foi a primeira vez que eu pensei em terminar e como o casamento aconteceu